GP Consultivo: uma necessidade do mercado

Sem dúvidas os profissionais em gerenciamento de projetos de hoje devem ter um comportamento diferente daqueles de 10 anos atrás, quando suas atribuições eram comparadas a de um “maestro”. Essa definição tende a dar um sentido de “passividade” em relação ao trabalho realizado no ambiente dos projetos. No entanto, as necessidades de mercado exigem um outro tipo de condução, onde o GP precisa ter perfil consultivo, ética, bom relacionamento interpessoal e liderança.

 

Em 10 anos trabalhando em projetos eu posso dizer que já vi de tudo um pouco quando a assunto é “escopo do produto/projeto”. Eu posso garantir a você que todo e qualquer cliente obedece a uma lógica única que é inerente a todos eles: nem sempre eles sabem o que realmente querem com aquele determinado projeto. A situação se agrava quando não há apenas uma, mas várias partes interessadas com visões e objetivos distintos sobre o mesmo resultado do projeto.

O que eu tenho a lhe falar, meu amigo, é o seguinte: não entre em pânico. Se gerenciar projetos fosse fácil nem eu, nem você, nem muitos outros profissionais da área teríamos trabalho pra fazer. Quando você abre e lê o Guia PMBOK na página 3 e vê a definição do que é um Projeto (“esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado único.”) tende a desconsiderar a palavra “resultado” na definição acima, porém é exatamente essa palavra que os clientes mais gostam de usar. Eles direcionam seus investimentos em projetos exatamente para que um determinado resultado seja atingido. Em muitas reuniões para coleta de requisitos do projeto o GP vai se deparar com situações de indefinição, contradição e dúvidas por parte do cliente, o que é um forte indício de um projeto com mudanças durante o seu ciclo de vida. Quanto a isso, não há muito o que fazer. As mudanças devem ser sempre consideradas, desde um projeto de desenvolvimento de um simples aplicativo a um projeto de capital. O que aconselho sempre fazer nesse caso é definir o Comitê de Controle de Mudanças (CCM), coisa que muitos GPs costumam desconsiderar por achar burocrático. Pode ser realmente burocrático em projetos de desenvolvimento de software, por exemplo. Mas pense desconsiderar o CCM em projetos de capital e você vai ouvir de todos os lados.

 

O foco então passa a ser o papel do Gerente do Projeto perante esse tipo de situação e como o GP pode ajudar o cliente a direcionar os requisitos de forma que o escopo do projeto sofra poucas alterações durante a execução, e é aí que entra o papel do GP Consultivo – um Gerente de Projetos que procura contribuir com o resultando oferecendo sua experiência e conhecimento técnico sobre o assunto em prol de uma solução à necessidade do cliente. Ainda hoje muitos GPs se preocupam apenas em ter o documento de escopo ou plano de gestão aprovados pelo cliente, se eximindo assim de qualquer alteração decorrente da indecisão desse cliente ou de uma nova necessidade a ser incorporada durante o ciclo de vida do projeto. O GP Consultivo não limita o seu local de trabalho ao escritório da sua empresa, ele imerge no ambiente do cliente, conhece a necessidade de perto e, se possível, monta uma “Sala de Guerra” para que a comunicação interna a interação com o cliente seja otimizada.

gpConsultivo

 

Um GP Consultivo não se omite em opinar sobre a melhor forma de trabalhar as necessidades do cliente dentro dos projetos, obviamente dando, o mesmo, abertura para esse tipo de inserção. Porém é preciso ter cuidado para que sua opinião não seja interpretada como uma imposição, o que seria extremamente prejudicial ao bom relacionamento Cliente x GP durante o ciclo de vida do projeto. O GP Consultivo entende que ele não está entregando um produto ou um serviço ao cliente, ele está entregando uma solução, algo que irá gerar valor e no qual ele é peça chave para que isso aconteça. O GP Consultivo é ético e constrói uma relação de transparência com o cliente nos assuntos referentes ao projeto. Isso é tão sério e tão correto que, para mim, as áreas de conhecimento mais importantes do Guia PMBOK são Ger. do Escopo, Ger. dos Stakeholders, Ger. das Comunicações e Ger. dos Riscos. Não que as demais áreas de conhecimento não sejam importantes, claro que não, mas é que elas são mais triviais e que já está fixo em nosso mindset como essencial.

O conselho que deixo aqui é: repense o seu trabalho! Há tempos o Gerente de Projetos deixou de ser uma figura imponente, intocável e inacessível em muitas empresas. Nunca foi tão necessário mergulhar no problema do cliente, entender profundamente a sua necessidade e ajudá-lo a encontrar o que é realmente necessário para compor o escopo do projeto e garantir o resultado esperado.

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