A melhor metodologia para gerenciamento de projetos do mundo

Confesso que usei este título apenas para despertar a sua curiosidade, caro leitor. Mas você já parou pra pensar por que você resolveu ler este artigo? Eu poderia apostar que foi pela inquietante vontade de achar uma resposta para algo que, honestamente, não tem resposta. Achar que existe o melhor método ou padrão a ser adotado em gerenciamento de projetos ousa ser tão viciante quanto os grandes cientistas em achar uma teoria única para tudo que acontece no universo, a chamada “Teoria de Tudo”. Como um ex-estudante de engenharia e interessado por astronomia, comprei certa vez o livro do físico brasileiro Marcelo Gleiser chamado Criação Imperfeita. No livro ele sugere que essa Teoria de Tudo seja um esforço, com grande influência monoteísta, de físicos como Einstein, por exemplo, em tentar provar que tudo no universo é regido por uma única lógica, como se tudo (do mundo atômico ao comportamento das galáxias) fosse explicado por uma única equação. O livro tenta nos mostrar um lado de aceitação do imperfeito, sem essa ânsia por tudo obedecer a parâmetros geométricos super bem definidos.

Papo louco né? Calma, eu vou chegar lá.

Eu não sei se você percebeu, mas nos últimos 5 anos a área de gerenciamento de projetos foi tomada por centenas de teóricos. A maioria desses teóricos são professores de MBA e consultores em gestão de projetos que, todo dia, propõem novas teorias e tentam buscar esse “graal” do gerenciamento de projetos. Uma teoria de tudo. Um método, um framework e uma série de “grandes novidades”, como se pegassem a roda e dissessem: “descobri que essa circunferência não tem 360°, nunca teve, ela na verdade é a soma de duas semi-circunferências de 180°, que no entanto, não é 360°”. Eu devo ter entre os meus contatos no LinkedIn uns 10 a 12 teóricos desses como 1º nível de conexão e vejo o que eles são capazes de produzir diariamente. É um verdadeiro bombardeio de informações que são tão anacrônicas, tão fora de contexto, que eu já não me impressiono mais. Só de Canvas para planejamento de projetos eu contei 8, que produzem em sua essência o mesmo resultado, cada um com um nome (em inglês, diga-se de passagem) diferente.

Aí vem um festival de modelos híbridos “patenteados”. Um pega o SCRUM e junta com o PMBOK, outro pega o PRINCE2 e junta com o ZOPP, depois pegam o PMBOK e junta com o PRINCE2… e… e… cansei. O produto disso tudo? Livros, workshops, aumento nas consultas em empresas com baixa maturidade em projetos, convites para congressos, etc. Um festival de redundâncias bancadas com o seu cartão de crédito. Ok, para mostrar que não sou tão chato assim, obviamente tudo é válido para conseguirmos melhores resultados em nossos projetos. O que me preocupa é como você, leitor e interessado na área de GP, assimila tudo isso e procura absorver o que há de bom para o seu trabalho. Então você me pergunta: se não é pra cair na pilha dos teóricos, qual então é a melhor metodologia ou padrão de gerenciamento de projetos do mundo que poderei adotar?

Resposta: a que melhor se adapta a sua necessidade e ao modelo de negócio da sua empresa.

Decepcionado com a resposta? Fica não. Deixa eu te falar uma coisa. Você não precisa seguir nenhum método ou padrão consagrado. Se você já usa hoje um método de gerenciamento de projetos que dá certo, ótimo, continua usando ele. Se você acha que precisa buscar na empresa apoio para adoção de uma nova forma de trabalhar com projetos, coloca as opções na mesa. Se você acha que seria interessante criar uma metodologia própria, melhor ainda. Sou fã de empresas que criam suas próprias metodologias de projeto e alcançam os resultados esperados.

Eu particularmente não gasto mais um centavo com workshops e palestras dessa dúzia de teóricos que, durante 1 ou 2 horas falam uma centena de palavras bonitas e mostram slides com resultados fantásticos que seus métodos estão alcançando. Sabe por que? Porque nenhum desses métodos leva em consideração a sua realidade. A camada de criação é diferente da camada da realidade. Adotar um método de gerenciamento de projetos depende de uma mudança cultural profunda, não só na sua organização, mas com seus clientes também.

Uma dica?

Trabalha com desenvolvimento de novos produtos? Procura conhecer o SCRUM. É rápido, dinâmico e focado em entrega de valor. Trabalha com implantação de serviços? O PRINCE2 é uma ótima pedida. Muito bem estruturado, com princípios e artefatos extremamente úteis e enxutos. Trabalha com projetos de capital? O uso das melhores práticas preconizadas pelo PMBOK é bastante valioso, cria uma documentação abrangente e um plano de trabalho com fluxo bem definido. Quer saber? Esquece tudo que falei e faz você mesmo sua metodologia de trabalho, meu amigo. O importante é entregar valor, atender as necessidades do cliente, entregar o seu projeto o mais dentro do prazo possível, dentro do limite de gastos e reforçando a relação de ganha <> ganha. Quando é bom pra todo mundo é que o gerenciamento de projetos faz sentido.

Espero que você busque se informar mais sobre métodos e padrões, adequá-los as suas necessidades e se preocupar menos com a quantidade de linguiça que essa geração de “teóricos-celebridades” quer encher.

Wagner Borba, PMP, CSM
http://escopodefinido.com
escopodefinido@gmail.com

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