A crise faz aumentar o “comércio” das certificações

Em algumas áreas do mercado de trabalho as certificações são claramente um diferencial quando o assunto é recrutamento de profissionais, em muitas empresas ao redor do mundo. Essas empresas acreditam que a certificação em si dão ao titular da mesma uma espécie de “status de conhecimento técnico“, que a sua experiência em determinada área não consegue dar. De fato, a certificação é um mecanismo bastante interessante de avaliar o conhecimento do profissional em determinado assunto, submetendo o mesmo a um exame de proficiência onde ele precisará atingir um determinado percentual de acerto para obter sucesso. Na área de Gerenciamento de Projetos há várias certificações no mercado, a maioria esmagadora pertencentes a órgãos internacionais. Isso se deve porque esse conceito de certificação é extremamente difundido lá fora, principalmente nos Estados Unidos e Europa. Aqui no Brasil, onde a cultura do gerenciamento de projetos apenas engatinha, só de uns 10 anos pra cá as certificações começaram a ter um peso considerável na balança.

Há muitos profissionais que abominam as certificações por acharem as mesmas desnecessárias e outros que consideram realmente importante tê-las anexas a seus currículos. Eu particularmente acho a ideia muito interessante e sou um dos defensores da existência das certificações. Como já disse em artigos anteriores, a certificação não transforma você em um profissional extremamente competente em determinado tema, como muitos pensam, mas mostra ao mercado que você não está parado e procura adquirir conhecimento através dos treinamentos e auto-estudo. Porém é importante nós entendermos o porquê de submetermos nosso conhecimento a um exame e como nos preparamos para o mesmo. Dentro dessa questão de “como nos preparamos” é preciso termos muita atenção em quem pode nos ajudar a nos prepararmos. E é aí que mora a minha preocupação. Com o país em crise muitos profissionais estão gastando o que podem e o que não podem investindo em “treinamentos” que dizem garantir o sucesso dos candidatos nesses exames de certificação. Cursos online com um material extremamente pobre e instrutores sem experiência no mercado e focados em indicar “bizus”, dicas de como responder às questões a fim de garantir a aprovação no exame.

Existe um verdadeiro mercado de venda de cursos preparatórios. Para contextualizar, vou contar 3 fatos engraçados. Ano passado chegou ao meu e-mail pessoal um acesso de 30 dias para testar um portal onde oferecia-se vários cursos, inclusive o preparatório para o exame PMP do PMI. Qual não foi minha surpresa de encontrar todas as questões desatualizadas, maioria ainda fazendo referência à Quarta Edição do PMBOK, quando já estamos próximos do lançamento da Sexta Edição. Outro caso veio de um conhecido meu que pagou R$ 190 por um curso de um outro portal. No site, colocaram um vídeo na página inicial mostrando um renomado professor de um MBA em Gestão de Projetos falando sobre gerenciamento de escopo por 3 minutos, meio que uma “amostra grátis”. Porém tratava-se de uma montagem, uma logomarca do curso foi colocada de forma indevida nesse vídeo e quem ministrava as aulas era outra pessoa e não esse professor. Também houve um caso de um preparatório para a certificação ITIL onde o instrutor dizia ter uma série de certificações e, na verdade, não tinha nenhuma delas. Fora que o seu material didático era uma cópia fidedigna de um outro curso muito conhecido na internet.

 

Esse conceito de “produto” traz à tona uma discussão antiga de que algumas certificações, com o tempo, passarão a ser vistas apenas como uma commodite, que definitivamente não é a finalidade do título. Aliás, é preciso haver uma mudança no mindset, não só das empresas, mas também dos profissionais de hoje quanto a real importância de ter uma certificação em seu currículo. Já conheci profissionais certificados que honestamente não fizeram diferença, simplesmente porque se preocuparam em estudar apenas o necessário pra passar no exame. É como eu sempre digo, você pode até enganar um recrutador durante o processo seletivo, dizendo que tem isso e faz aquilo, mas com o tempo a máscara cai, porque não há melhor prova de fogo do que o trabalho diário, e no trabalho diário, meu amigo, você pode ter certeza que a mentira e falta de preparo vem à tona.

Bem, com esse artigo eu quero provocar uma reflexão sobre esse verdadeiro mercado caça-níquel que se prolifera diariamente, o que você precisa fazer para fugir de algumas armadilhas que existem por aí e pedir para que você sinta-se à vontade em dar sua opinião sobre o assunto.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s