O que esperar da Gestão de Projetos no cenário econômico brasileiro para 2017?

Domingo, 18 de Dezembro de 2016. São 23:13h e parei de estudar um pouquinho para um exame de certificação que farei na próxima semana e abri o meu processador de textos pra ficar olhando a página em branco dele por alguns minutos, buscando compartilhar com os demais profissionais que se interessam pelo assunto o que eu, particularmente, consigo avaliar para o mercado e nossa profissão no cenário recessivo ao qual estamos inseridos desde o meados de 2014. Por isso mesmo demorei alguns minutos para escrever as primeiras palavras. Pra deixar claro; eu não sou profeta, não vim do futuro. Mas gostaria de compartilhar essas percepções com você.

Pois bem, todo mês de Dezembro eu costumo fazer uma análise do ano que passou e o que poderei esperar para o próximo ano. Geralmente analiso tudo; como foram os projetos, o que fiz de bom, o que preciso melhorar, quais as perspectivas de projeto para o ano vindouro, se estou seguindo rigorosamente o meu Mapa Estratégico Pessoal com as metas para o ano que se encerra, enfim, uma série de questões. Curiosamente, esse ano demorei um pouco mais para montar essa análise, exatamente porque o que consigo ver ainda é bastante nebuloso. Assisti nos últimos meses algumas entrevistas e palestras de influentes economistas brasileiros e até mesmo estrangeiros falando sobre o tema Brasil 2017, obviamente todos expuseram diferentes pontos de vista no que diz respeito ao campo econômico. O que está claro para todos eles é que qualquer tipo de melhoria (por menor que seja) na nossa economia, vai depender basicamente de 2 fatores:

  1. Diminuição da taxa de juros;
  2. Equilíbrio de contas;
  3. Estabilidade no cenário político.

Ora, mas o que isso poderia influenciar os projetos para o próximo ano? Em tudo, absolutamente em tudo. Para que haja projetos é preciso que haja demanda. Essa demanda depende de procura. Em momentos de recessão, não há procura. Projetos também dependem diretamente de investimentos. Boa parte dos investimentos são frutos de financiamentos. Quanto mais alta a taxa de juros do financiamento, menos viável ficam os investimentos.

No campo político a mesma coisa, investimentos externos, redução de impostos, incentivos ao retorno do crescimento; tudo isso depende de uma estabilidade política que o país está distante de alcançar. Pelo menos eu não consigo enxergar uma solução a curto prazo desse problema.

Bem, entendido o panorama econômico e político, vamos falar de gerenciamento de projetos e como os profissionais da área estarão inseridos nesse contexto. Independente da crise, há certas adequações que todo o profissional em gerenciamento de projetos já deveria estar fazendo há um tempo. Conceitos de Agilidade, Lean e Design Thinking já começam a ser cortejados por mais organizações.

Quer saber de uma coisa que talvez você não faça a menor ideia? As organizações estão esperando muito mais de nós do que apenas gerenciar projetos. O que nos parece muito estranho, na verdade, é uma tendencia e faz sentido. Estamos vivendo um período em que sermos apenas eficazes virou motivo de piada interna entre diretores e CEOs. Sabe aquele projeto que você concluiu antes do prazo determinado, deixou o cliente feliz e ainda te fez receber uma série de elogios nas reuniões com os demais líderes de projeto, porém, com o orçamento estourado em 2%? Espero que tenha curtido o momento, porque já faz um tempinho que apenas ser eficaz não te diferencia de nenhum outro GP. Vivemos uma nova realidade, onde o conceito de eficiência se tornou o “doce na boca da diretoria”. O GP hoje precisa ser Eficiente e Eficaz.

“Ô Wagner, mas esses trem aí não são a mesma coisa não?”

Depende em que mundo você vive. No mundo real, são diferentes e realmente se completam, porque a diferença é sutil. Você pode ser eficaz sem conseguir ser eficiente. Ou tentar ser eficiente e não conseguir ser eficaz. A diferença é simples: Eficiência tem a ver com o quão mais você consegue fazer com um número menor de recursos. Se fez mais com menos, você foi eficiente. Eficácia tem a ver com a resolução do que foi proposto. Se você concluiu algo ao que você foi destinado a concluir, você foi eficaz.

E o que é preciso fazer então?

É preciso fazer o que tem que ser feito, ser eficaz (mas com eficiência). Coloque na sua cabeça uma coisa para 2017: “Precisarei fazer mais com menos”. Haverá cortes nos orçamentos para projetos em 2017. Haverá cortes inclusive na sua equipe de projetos. Tava querendo que a empresa comprasse a licença do Project 2016 ano que vem? Deixa quieto por enquanto. Há boas ferramentas opensource que podem suprir a sua necessidade. Tava pensando em pedir um aumento de salário? Se eu fosse você, eu esperaria para 2018. O momento é de sermos eficientes e eficazes, lembra?

Quer um conselho legal pra fechar 2016? Se a sua organização não tem um PMO, prepare um relatório ou uma apresentação com tudo que foi feito em 2016 na condução dos seus projetos e envie para diretoria e principais stakeholders internos. Faça uma boa apresentação, com informações relevantes, apresente números que façam a diretoria ter a certeza que precisará da sua expertise para o plano estratégico do próximo ano. Se tiver registros da satisfação dos clientes e demais partes interessadas com os seus projetos, coloque na apresentação também. Um ótimo momento para começar a se reciclar, fazer cursos, iniciar um MBA e tirar certificações. Um bom conselho também diz respeito a adquirir conhecimento em Análise de Negócios (ou Business Analysis, como preferem os “letrados”). A engenharia de requisitos é um campo muito promissor e um diferencial para os GPs. As organizações já estão se questionando porque precisam manter o quadro de GPs em um momento de baixa demanda de projetos e essa apresentação pode ser de grande valia.

Aqui também vai o meu recado para os PMOs. A informação é um ativo importantíssimo. Revisem todos os documentos que hoje fazem parte dos ativos do PMO e avalie quais têm alguma relevância. Analisem principalmente a qualidade dessas informações, se realmente estão sendo repassadas de maneira a colaborar com a tomada de decisão. Procure adequar esses ativos às necessidades das organizações. Avaliem os processos de governança. Preparem um plano de melhoria que envolva todos os recursos do PMO (de documentação à GPs). Como inevitavelmente haverá cortes solicitados pela diretoria, procure manter atualizado um banco de dados com informações e avaliação dos recursos ligados ao PMO. Muito provavelmente esse banco de dados deverá ser consultado, caso haja essa necessidade de cortes. Mas claro, não estamos querendo que isso se concretize.

Há também uma visível necessidade de mudança no perfil dos GPs por parte das organizações. As grandes empresas estão procurando Gerentes de Projetos com foco em pessoas. Isso só corrobora com o que o EscopoDefinido.com vem trazendo neste último ano; as habilidades humanas não são mais diferencial e sim mandatório para os profissionais em gerenciamento de projetos.

Pois bem, esta é a minha visão. Nada de apocalíptico ou eufórico. É um tempo de mudanças, um momento de reavaliarmos qual o nosso papel nas organizações. Você acha que ainda é o mesmo de 10, 15 anos atrás? Proponho essa reflexão a você e quero ouvir o que você tem a dizer a respeito.

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