PMI® Pulse of the Profession: os benefícios do gerenciamento de projetos pelo mundo em números

A maioria dos profissionais em GP no Brasil atuam em organizações de baixa e média maturidade em projetos. Muitos desses profissionais, além de suas tarefas diárias, têm a árdua missão de tentar convencer a alta gestão de suas empresas sobre a importância da adoção de práticas em gestão e alinhamento estratégico dos projetos para geração de valor. Muitas dessas empresas, apesar da “boa vontade” de seus executivos, não conseguem tirar do papel essa premissa devido à sua estrutura organizacional e a forte resistência de alguns membros da alta gestão, expostos ao futuro mas com os olhos no passado. Porém, à passos curtos, esta realidade tem mudado.

Para que possamos ter um breve entendimento sobre maturidade em gerenciamento de projetos, segundo o modelo MMGP (Prado), essa maturidade deve ser medida na organização em relação à 6 dimensões:

  • Conhecimentos sobre Gerenciamento de Projetos;
  • Uso de uma metodologia;
  • Informatização;
  • Estrutura Organizacional;
  • Relacionamentos Humanos;
  • Alinhamento com os negócios da organização.

Irei abordar o modelo MMGP em um artigo específico. Por agora é apenas importante que você saiba que existem métodos para medir o nível de maturidade em projetos nas organizações.

É evidente que no resto do mundo (até mesmo em alguns países da América Latina) a gestão de projetos tem sido encarada com mais seriedade do que em muitas organizações das terras tupiniquins. O Brasil é um país que, há 10 anos atrás, engatinhava na gestão de projetos. Hoje, já consegue dar os primeiros passos, mais ainda é muito pouco para o grande potencial que há aqui. E foi para mostrar que o gerenciamento de projetos tem dado sua contribuição para o mundo em uma série de aspectos que resolvi escrever este artigo.

No início do mês resolvi fazer o download do Pulse of the Profession 2017, uma publicação anual do PMI® (Project Management Institute) que faz um importante diagnóstico do gerenciamento de projetos ao redor do mundo e faz projeções globais para o futuro da gestão de projetos. A edição 2017 trouxe dados positivos sobre uma série de questões relacionadas às organizações, aos projetos e aos profissionais em GP. Nesta edição, foram consultados mais de 3.200 profissionais em gerenciamento de projetos, 200 executivos seniors e 510 diretores de PMO de empresas das mais variadas indústrias. Com isso, podemos fazer um comparativo com os resultados de 2016 e comprovar em números a importância do gerenciamento de projetos no atingimento de metas e geração de valor para as organizações.

1.TALETOS EM GERENCIAMENTO DE PROJETOS

Os profissionais em GP continuam acreditando no desenvolvimento de habilidades técnicas, liderança e gestão de negócios (Triângulo de Taletos do PMI®) como prioridade em seu desenvolvimento. Ao todo, 32% dos entrevistados (3% a mais do que em 2016). Além disso, 60% das organizações relataram estar provendo treinamento em técnicas e ferramentas para o gerenciamento de projetos com seus colaboradores.

2. PMO e PMO ESTRATÉGICO

Cada vez mais, organizações estão contado com PMOs (Project Management Office) ou Escritório de Projetos. Para ficar didático para quem não conhece, o PMO seria basicamente um “departamento de Projetos”, setor com uma série de funções, dentre elas fornecer suporte aos gerentes de projetos, padronização de documentos, gerenciamento efetivo de projetos, dentre outras. Pois bem, o Pulse 2017 mostra que, entre as organizações que responderam ter PMO em sua estrutura, metade delas disseram ter um EPMO (Enterprise-wide Project Management Office). Essa informação é importante porque mostra que muitas empresas estão transformando seus PMOs em agentes altamente alinhado à estratégia da organização, evidenciando a valorização do gerenciamento de projetos. Quanto mais alinhados à estratégia da organização, maior o percentual de sucesso dos projetos.

3. PATROCÍNIO EXECUTIVO

Em gerenciamento de projetos, chamamos de Patrocinador do Projeto o agente (geralmente com alto capital político dentro da organização) que servirá como “defensor” do projeto. Segundo o Pulse 2017, o patrocinador empenhado ativamente continua sendo o principal fator para que os projetos atinjam seus objetivos originais. A pesquisa traz um aumento no percentual de projetos com o apoio do patrocinadores executivos ativamente envolvidos, em média 62%, contra 59% em 2016.

4. AGILIDADE

As organizações têm adotado cada vez mais os métodos ágeis no gerenciamento de projetos. No total, 71% das organizações relatam usar abordagem ágil: às vezes, muitas vezes ou sempre.

5. CONDUÇÃO DAS DECISÕES E RESULTADOS ORGANIZACIONAIS

Além do acompanhamento das tendencias anuais em gestão de projetos, o PMI® também procurou conversar diretamente com executivos para capturar suas expectativas sobre as condições que levam às decisões e resultados da organização. A maioria dos executivos entrevistados informaram que o relacionamento com os clientes (para 77%) e a eficiência operacional (para 75%) serão as maiores prioridades para alocação de recursos nos próximos três à cinco anos. Essas informações reforçam o que eu já vinha expondo aqui em meus artigos, de que o foco do GP deixa de ser apenas na condução da equipe de projetos e passa a ser voltado mais para o relacionamento com o cliente, sendo assim obrigatório desenvolvimento em habilidades humanas.

6. AUMENTO NO PERCENTUAL DE PROJETOS QUE ATINGEM SEUS OBJETIVOS ORIGINAIS

Segundo o Pulse of the Profession 2017, pela primeira vez (desde 2011), houve um aumento relevante no percentual de projetos que atingiram seus objetivos iniciais sendo completados dentro do orçamento planejado. A pesquisa traz as organizações em dois enquadramentos:

(1) CHAMPIONS – Organizações com 80% ou mais projetos sendo concluídos dentro do prazo e orçamento e alta maturidade (corresponde a 7% das organizações).

(2) UNDERPERFORMERS – Organizações com 60% ou menos projetos sendo concluídos dentro do prazo e orçamento e baixa maturidade (corresponde a 12% das organizações).

pmiPulse1

Note no quadro acima que nas organizações “Campeãs”, onde há uma maior maturidade, 88% dos projetos são concluídos dentro do prazo, muito diferente dos projetos em organizações de baixa performance e baixa maturidade em projetos, onde apenas 24% dos projetos são concluídos no prazo. Outro número que deixa claro a relevância do amadurecimento das organizações e alinhamento estratégico no gerenciamento de projetos é o percentual de projetos que atingem seus objetivos originais e intenção comercial (92% nas organizações Champions contra 33% nas Underperformers).

O documento é bastante completo e eu indico a todos os interessados (de profissionais em GP à executivos) que o leiam na íntegra. No Apêndice do documento há uma série de gráficos com informações relevantes sobre a pesquisa que o originou.

Se havia alguma dúvida de que o gerenciamento de projetos, se apoiado pela alta gestão e devidamente estabilizado, é extremamente relevante nas organizações, este documento fornecido pelo PMI® Global põe essa dúvida abaixo.

Para maiores informações, acesso o site do PMI.org e faça o download do Pulse of the Profession 2017.

 

Wagner Borba, PMP, MBA, ITIL, CSM
http://escopodefinido.com

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