SCRUM: 25 anos de ótimos resultados e muitas críticas

Após observar durante anos vários projetos de desenvolvimento de aplicações (softwares) fracassarem em suas entregas e produzirem impacto negativo nos prazos e orçamentos, em 1993 o norte-americano Jeff Sutherland aplicou pela primeira vez um ciclo de desenvolvimento baseado em iterações no qual o mesmo batizou como SCRUM, em um projeto na Easel Corporation, empresa na qual o Jeff trabalhava. Mais tarde, em 1995, Ken Schwaber refinou esse método com base em sua experiência no desenvolvimento de sistemas e processos. Do primeiro projeto SCRUM, passaram-se 25 anos e, desde então, as organizações executoras de projetos têm utilizado cada vez mais esse método, não só em projetos de desenvolvimento de aplicações, mas em vários outros tipos de projetos, como construção de foguetes, desenvolvimento de produtos, marketing, educação, mercado financeiro e até mesmo na organização de tarefas operacionais complexas.

Por ter sido considerado por muitos um “produto de contestação” aos modelos baseados em planos, o SCRUM ganhou um status disruptivo em uma época na qual o status quo era cultuado em sua plenitude na maioria das companhias. O método era um agente de inovação em uma área extremamente restrita à mudanças dentro das organizações: a do gerenciamento de projetos. Ao contrário dos MGBPs (métodos de gestão baseados em planos) o SCRUM emergiu como uma metodologia ágil e flexível, definindo um processo de desenvolvimento iterativo e incremental, aplicável a qualquer produto ou na gestão de qualquer atividade.

A representação abaixo mostra o ciclo de processos e artefatos contidos no SCRUM.

the-agile-scrum-framework-at-a-glance

Anualmente a Scrum Alliance, uma das principais instituições de fomento e certificação do SCRUM no mundo, divulgou o The State Of Scrum Report, que é um documento baseado em pesquisas com filiados e profissionais de todo o mundo. A edição 2017 traz informações interessantes, das quais compartilho com você:

  • 98% dos entrevistados disseram que planejam usar SCRUM para melhorar os resultados dos seus projetos;
  • 50% dos entrevistados disseram que suas organizações adotaram o SCRUM como método de gerenciamento de atividades;
  • 54% das organizações recomendam a certificação SCRUM para seus funcionários.

Caso queira ter acesso ao The State Of Scrum Report 2017, clique aqui para baixar (o documento está em inglês).

O foco da metodologia vai muito além da entrega de um produto ou serviço, no SCRUM entrega-se valor. O foco não é o resultado final e sim as entregas incrementais que trarão mais retorno sobre o investimento. O cliente pode prover feedbacks sobre features com mais agilidade e contribuir de forma mais rápida para a melhoria contínua do processo (que já contempla uma retrospectiva ao final de cada sprint para indicar os pontos de melhoria). Uma outra importante contribuição é no que diz respeito ao empoderamento da equipe de projeto. Apesar do grandioso desafio de formar times auto-gerenciáveis, o método força um pleno envolvimento da equipe, por exemplo (Devs, Scrum Master e Product Owner) no direcionamento das atividades. Cada um deve estar ciente do seu papel dentro de cada sprint e todos colaboram para que todas as histórias seja concluída, indo contra o tradicional método do “isso não é problema meu, essa atividade não é minha”.

Projetos estão sendo concluídos em menos tempo e com menor custo. Qual empresa não quer entregar projetos assim? Pesquisas extra-oficiais (artigos, white papers e surveys) dão conta de que projetos que utilizam o SCRUM são concluídos em média, com 40% menos do tempo que modelos “tradicionais” (Iniciação, planejamento, execução, controle e encerramento). Para provar ainda mais que o SCRUM não está limitado apenas a projetos de software, uma ótima iniciativa foi criada pelo holandês Willy Wijnands, professor de Química e Física na Ashram College. Ele conheceu o SCRUM clássico e o adaptou para utilizá-lo no aprendizado do seus alunos, criando assim o eduScrum. Neste método é utilizado um Scrum Board, com uma estrutura semelhante ao quadro Kanban, normalmente utilizado em projetos conduzidos com métodos ágeis. As lições são iniciadas com uma Stand-up Meeting, garantindo um foco e um vínculo. As retrospectivas ajudam os alunos a melhorar continuamente suas estratégias de estudo. Abaixo, um exemplo do quadro eduScrum. Para mais informações sobre o método visite o site (http://eduscrum.dl).

eduscrumQuadro eduScrum

Você poderia perguntar:  “você só falou maravilhas sobre o SCRUM até o momento. Porém, onde estão as críticas referentes ao título do artigo?”

Há um ditado que diz que “toda a unanimidade é burra”, por isso existem críticos para toda e qualquer tendência. Se no mercado financeiro existe quem duvide dos números, no gerenciamento de projetos há quem duvide (e muito) do SCRUM. A verdade é que existe um certo desconforto de vários profissionais em se adaptar ao tipo de ajuste cultural do qual o SCRUM necessita para o seu pleno funcionamento. Outro ponto (e esse eu faço questão de reforçar) é que não existe um método certo ou errado, o que existe é o método mais adequado para cada tipo de projeto ou modelo de negócio. Quando o SCRUM começou a ganhar mais espaço e adeptos, muitos profissionais da área torceram o nariz. Professores nos MBAs, acostumados com a velha ementa das áreas de conhecimento do PMBOK, enxergaram uma possível debandada de alunos. Consultores que vendem cursos preparatórios para certificação CAPM e PMP discordam que o SCRUM seja algo realmente novo. Conheço um consultor que chegou a dizer que o PMBOK já previa, desde sempre, entregas incrementais na estrutura da WBS. Um outro colega, em um grupo no Whatsapp, disse: “duvido construir plataformas de petróleo usando o SCRUM puro”.

Eu sempre digo e repito que a agilidade não é um método e sim um modo de vida. Eu mesmo sou um grande crítico da idolatria que algumas pessoas têm com o SCRUM e demais métodos ágeis de gestão. Também acho pouco provável utilizar o “Scrum puro” para projetos de construção de plataformas de petróleo e hidroelétricas, porém não duvido que isso possa um dia acontecer. É muito importante lembrar que o SCRUM nasceu no universo do desenvolvimento de softwares e não está aí para competir com nenhum outro método. Ele é uma opção interessante e super inteligente para desenvolver, não somente produtos e serviços, mas pessoas. O SCRUM conecta pessoas, as torna mais altruístas, mais dinâmicas e mais satisfeitas com o seu trabalho.

Respeitando todas as críticas, deixo aqui o meu parabéns ao SCRUM e a todos os seus praticantes, desejando muito anos de vida e ainda mais sucesso.

 

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